Líder do Boko Haram, Abubakar Nega Substituiçã

líder do  Boko Haram, Abubakar Shekau, afirmou hoje numa mensagem áudio continuar presente, apesar do anúncio da sua substituição pela organização extremista Estado Islâmico, à qual o grupo nigeriano jurou lealdade.
"As pessoas devem saber que continuamos aqui. Nunca causaremos qualquer discórdia entre as pessoas, viveremos pelo Corão", afirma Shekau na mensagem de 10 minutos.
A mensagem, cuja voz foi identificada por um jornalista da agência France Presse habituado às declarações do grupo, ainda não foi autenticada pelas autoridades, mas segundo Yan St-Pierre, consultor sobre contraterrorismo do grupo Modern Security Consulting, "a fonte de difusão é muito fiável".
Shekau reagia a rumores de que teria sido substituído pelo xeque Abu Mosab al-Barnawi, um antigo porta-voz do Estado Islâmico (EI).
Na última edicção da revista 'on line' do EI, Al-Naba, divulgada na terça-feira, al-Barnawi foi entrevistado e apresentado como o novo Wali (chefe) do califado da África Ocidental.
Abubakar Shekau, que dirige o movimento desde 2009, afirma ter sido "enganado" por alguns dos seus combatentes e pelo EI, a quem jurou lealdade em março de 2015, a ponto de não mais poder "segui-los cegamente".
"Através desta mensagem queremos afirmar que não aceitaremos mais nenhum emissário (do EI), exceto aqueles realmente empenhados na causa de Deus", diz Shekau.
As especulações sobre o desaparecimento de Shekau são frequentes e o exército nigeriano já o declarou morto por diversas vezes. A última vez que apareceu foi em março, quando, com um aspeto enfraquecido, declarou num vídeo colocado na rede social YouTube: "Para mim, o fim chegou".
Ferido no estômago na altura daquele vídeo, segundo fontes próximas do movimento 'jihadista', Shekau não deu mais sinais de vida e dizia-se estar morto ou incapacitado para dirigir o grupo.
"De um ponto de vista estratégico, já se percebia que o grupo estava fortemente dividido", comentou Yan St-Pierre. "Agora a divisão é pública e a 'roupa suja' já não é lavada em privado", adiantou.
Romain Caillet, especialista em questões de terrorismo, disse na quarta-feira à AFP que "nenhum elemento" na entrevista de Bardawi à revista do EI "deixa pensar que Abubakar Shekau tenha sido morto, o que indicaria que foi provavelmente demitido".
Shekau assumiu a liderança do Boko Haram após a execução do seu líder histórico Mohammed Yusuf pelas forças de segurança em 2009, o que marcou o início de uma revolta dos islamitas que já causou cerca de 20.000 mortos e 2,6 milhões de deslocados em toda a região do lago Chade.


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